domingo, 7 de novembro de 2010

A Bravata (de Alma Welt)

Conclamei os ventos na coxilha
Quando adolescente estabanada.
Olhai ali o trecho em minha trilha
Em que fiz a minha jura desnudada.

Despi-me lançando tudo ao ar
E tratei de, voltando ao casarão
E entrando pela porta do salão,
Minha dura Açoriana provocar:

“Vê, Mutti, se maldade já se via,
Trouxeste-me assim pelos cabelos,
Me açoita como quando era guria!

“Procura nestes seios cor de nata
Ou mesmo nestes ralos ruivos pelos
Se o pecado ainda mora por bravata!”

(sem data)

Nota

Acabo de descobrir na arca este pungente, visceral soneto, em que a Alma revela a marca deixada para toda a vida pelo trauma produzido pelo flagrante dela com seu irmão Rodo, quando pequenos, por nossa mãe, que os arrastou nuzinhos pelos cabelos, gritando...
(Lucia Welt)

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