terça-feira, 9 de novembro de 2010

Irrefletida (de Alma Welt)

No lago vi meu rosto refletido
De manhã como se fosse vez primeira,
Nas águas do meu poço proibido
Aonde tanto ia em brincadeira.

E senti, em susto, que esse espelho
Aprisionava sem dó o meu reflexo:
Segurava o cabelo meu, vermelho,
E este belo rosto pálido, perplexo.

E gritei de revolta e de medo
Ao Deus desta impassível pradaria:
“Aonde me levais, assim tão cedo?”

"Se somente orbitei o meu umbigo,
E não tenho sequer sabedoria,
Que serventia terei eu aí contigo?”


12/01/2007

Nota
Muito emocionada descobri esta manhã na Arca da Alma este pungente soneto que me fez mais uma vez chorar por minha irmã. Como ela sofreu, sozinha, esses sinais de sua morte próxima!... Nós, sua família, não sabíamos o que a fazia tão instável, oscilando entre tristeza e alegria. Não sabíamos...
(Lucia Welt)

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