Por vezes me sinto esvaziada
Como se todo acervo de memória,
E mesmo a trajetória efetuada
Abandonada fosse ao fim da estória.
Uma simples guria desnudada,
Frágil, branca, nua em plena praça,
Como se fora a poetisa venerada
Uma centelha efêmera de graça...
Talvez só um pudor imenso sobre
Que ruborize minha face camponesa
E traia minha origem pouco nobre.
E então, num lapso de horror,
Cubro a rosa da vagina na surpresa
Daquele antigo anátema de dor...
26/ 09/2006
Nota
Acabo de descobrir na Arca da Alma esta maravilha inédita, em que Alma mais uma vez, de maneira pungente, ao falar de si, fala universalmente por toda a condição feminina.
*Daquele antigo anátema de dor- Alma se refere às palavras de Deus (no Gênesis ) ao espulsar Adão e Eva do Jardim do Éden (o paraíso terrestre) : " Parirás em dor, ganharás o pão com o suor do teu rosto"...
(Lucia Welt)
Há 7 meses
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