sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Anátema (de Alma Welt)

Por vezes me sinto esvaziada
Como se todo acervo de memória,
E mesmo a trajetória efetuada
Abandonada fosse ao fim da estória.

Uma simples guria desnudada,
Frágil, branca, nua em plena praça,
Como se fora a poetisa venerada
Uma centelha efêmera de graça...

Talvez só um pudor imenso sobre
Que ruborize minha face camponesa
E traia minha origem pouco nobre.

E então, num lapso de horror,
Cubro a rosa da vagina na surpresa
Daquele antigo anátema de dor...

26/ 09/2006

Nota
Acabo de descobrir na Arca da Alma esta maravilha inédita, em que Alma mais uma vez, de maneira pungente, ao falar de si, fala universalmente por toda a condição feminina.

*Daquele antigo anátema de dor- Alma se refere às palavras de Deus (no Gênesis ) ao espulsar Adão e Eva do Jardim do Éden (o paraíso terrestre) : " Parirás em dor, ganharás o pão com o suor do teu rosto"...

(Lucia Welt)

Nenhum comentário: