
Desespero- painel lateral direito do tríptico Cabeças Metafísicas,
de Guilherme de Faria, 140x120cm, 1991
Elogio do Desespero (de Alma Welt)
Quando um homem perde a sua fé
Porque provavelmente nunca a teve,
O que ocorre em casa ou num Café,
Ou se ao cruzar a rua se deteve
Para ser atropelado com seguro,
Ele trai sua esperança em rebeldia
Almejando espiar de trás do muro
Aquela a quem amou um certo dia...
Que louca e extrema a sua bravata
Erguendo a mão crispada para Deus,
A outra a afrouxar a sua gravata!
Ou, pelo contrário, o laço pondo
De pé num banquinho, sem adeus,
O gerente do Banco descompondo...
(sem data)
Nota
Acabo de descobrir na Arca da Alma este insólito soneto. Creio que é um exercício de humor negro da grande Poetisa, que sempre revelou sua veia humorística, embora com uma ironia mais leve... Mas também acredito que ele revela muito da oculta fé que minha irmã tinha em Deus, apesar de ser uma Alma tão complexa e talvez atormentada... (Lucia Welt)
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