Sonhei tornar-me a Musa do meu Pampa
Desbordando os limites desta estância
E poder dizer sem jactância
Que afinal me tornei a sua estampa
Nas paredes dos peões em suas querências,
Ruiva a contrastar com o meu Negrinho
Do Pastoreio em suas trilhas do caminho
Ou ser uma entre as suas referências:
A estrela que os peões olham na noite,
Entre tantas outras, mas brilhante,
Buscando-me no sonho do pernoite
Na coxilha, mateando ao pé do fogo
Ou nas brasas derradeiras do Levante,
Para então ouvir da sela o novo rogo...
(sem data)
Nota
*Neste esplêndido terceto, há uma ambigüidade entre as brasas da fogueira que ferveu a água da chaleira do mate dos peões acampados na coxilha, e os vermelhos da alvorada, em que as selas dos cavalos pedem ("...rogo") para serem montadas novamente. (Lucia Welt)
Há 7 meses
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