segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sonho pampiano (de Alma Welt)

Sonhei tornar-me a Musa do meu Pampa
Desbordando os limites desta estância
E poder dizer sem jactância
Que afinal me tornei a sua estampa

Nas paredes dos peões em suas querências,
Ruiva a contrastar com o meu Negrinho
Do Pastoreio em suas trilhas do caminho
Ou ser uma entre as suas referências:

A estrela que os peões olham na noite,
Entre tantas outras, mas brilhante,
Buscando-me no sonho do pernoite

Na coxilha, mateando ao pé do fogo
Ou nas brasas derradeiras do Levante,
Para então ouvir da sela o novo rogo...

(sem data)

Nota
*Neste esplêndido terceto, há uma ambigüidade entre as brasas da fogueira que ferveu a água da chaleira do mate dos peões acampados na coxilha, e os vermelhos da alvorada, em que as selas dos cavalos pedem ("...rogo") para serem montadas novamente. (Lucia Welt)

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