O vento acompanhou meu crescimento
Desde que aqui fui transplantada
Por sorte num perfeito e bom momento
Para neste Pampa ser moldada.
Bá! Como uma potra agradecida
A correr de imediato na coxilha,
A abrir assim os braços para a vida,
E a dar-me ao Minuano como filha.
Não posso, então, queixar-me, nunca pude,
Apesar daquele mítico percalço
A que refiro, comovida e amiúde,
Pois aqui fui arrancada como um ninho*
Do pássaro de fogo que ainda alço
E que persigo como um éden de carinho...
(sem data)
Nota
* Neste terceto a Poetisa usa uma deliciosa metáfora para se referir ao seu sexo, como "um ninho" que foi arrancado ao ardente pênis ("pássaro de fogo") que a ainda a deseja (se alça), de seu irmãozinho Rodo, quando do traumático flagrante produzido por nossa mãe (que arrancou-os com violência um ao outro) ao descobri-los nuzinhos debaixo da macieira do pomar, em sua inocente infância, episódio recorrente na poesia da Alma, e que tem um carácter alegórico universal evidente... (Lucia Welt)
Há 7 meses
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