As tais confissões reveladoras
Ocorrem-me ao calçar o meu sapato
Ou mesmo atravessando meu regato
Em busca de fontes mais canoras
Do ser, afastada da razão
Que insiste em me comprometer
Com o lado espúrio da questão,
Que é um jeito só de me vender
Como poeta ou artista tarde ou cedo,
E que é da esperança a cantilena
De poder viver sem meu vinhedo
Que afinal se tornou engano ledo
Pois que esta mão afeita à pena
O lançou, e ao lagar, contr’um rochedo.*
15/01/2007
Nota
* Neste terceto, Alma alude ao fato de que nossa estância com o vinhedo está em processo de falência e ela se culpa, pois sendo uma escritora ("... mão afeita à pena)fez naufragar a herança de nossos avós. Certamente ela exagera, pois caberia, creio, ao Rodo cuidar dos negócios, que ele como jogador de poquer negligenciou. Mas talvez nenhum de nós seja culpado... nada pudemos fazer, a decadência já vinha dos tempos do Vati (papai), ele também um artista, mais do que verdadeiro estancieiro... (Lucia Welt)
Há 7 meses
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