
O Crítico- gravura em metal( ponta-sêca) de Guilherme de Faria, 1962
O Crítico (de Alma Welt)
Um dia um erudito literato
Ao ver que eu tinha escrito mil sonetos
Ficou por um instante estupefato
E me disse afiando os seus espetos:
“Não pode haver assunto para tanto...
Não serás por acaso falastrona?
Disse ele disfarçando o seu espanto
E se remexendo na poltrona.
Mas durante a leitura de viés
Do olhar experiente e até esnobe
De escritor de prefácio e rodapés,
Vai ele se calando, a mão na testa
E do seu peito um suspiro logo sobe
De quem olhou a vida pela fresta...
(sem data)
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