quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entre o mate e o verso (de Alma Welt)

Sonetar pra mim tornou-se hábito,
Conto sílabas e rimo a caminhar
Pela coxilha ao largo de onde habito
Ou sobre a relva escura do pomar.

Eis que diante da minha macieira
O soneto tende a um velho rito
E alguma falsa rima de estradeira
Desvanece e dá lugar ao Mito...

Mas onde o verso meu mesmo transcende
Longe do altar dos velhos deuses
É junto ao fogo que o gaúcho acende

Na vigília bravateira do meu mate
Co’as Marias, as Três e seus adeuses,
Sob o olhar do grande, eterno Vate...

(sem data)

Nota
Acabo de descobrir este gracioso soneto, muito revelador da alma gaúcha sob o estro e cultura universal da grande Poetisa. Seu amor à nossa cultura e hábitos ficam evidentes em sonetos assim... (Lucia Welt)

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