terça-feira, 27 de abril de 2010

Da Poesia (de Alma Welt)

Interessar-me, sim, por quase tudo,
Foi esse o meu segredo de Poesia,
Mas também certo teor de fantasia
E algo do que está oculto e mudo.

A chave do soneto é a amarra
Daquele impossível que se diga;
Tanto o canto inútil da cigarra
Quanto o trabalho da formiga.

Não vem do sagrado nem do laico
A verdadeira linguagem do real
Mas daquilo que se forma no mosaico

De coisas tão distantes do ideal:
Não o gesto pleno, mas tremor...
E do vento, o sul, o medo e a cor.

(sem data)

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