No escuro palco meu poema danço
A minha vida assim coreografada
Em belos passos de que não me canso,
Tenha tido ou não casa lotada...
E cada vez mais bela e exaltada,
Como uma Pavlova em branco cisne
Sei que a morte chegará sem que me tisne
As brancas penas na última noitada...
Quem me ouvirá o cisne que delira
Em derradeiro, estertorante canto,
Tardio apelo do Poeta em sua lira?
A casa do meu sonho está vazia
Desde a platéia espectral até a coxia,
E cai a negra cortina como um manto...
17/01/2007
Nota
Acabo de encontrar este soneto inédito na Arca da Alma, e mais uma vez tive que chorar... Trata-se de uma despedida. Vê-se pela data, que três dias depois Alma estaria morta...
(Lucia Welt)
Há 8 meses
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