
Nefertiti- desenho de Guilherme de Faria, 2010,
a pincel, nanquim e aquarela, s/ papel Shoeller montado,
de 72x53cm, coleção do artista.
Nefertiti (de Alma Welt)
Rodo trouxe um cientista pra jantar,
Dr. Piotr Ivanovitch, jovem russo,
“Arqueólogo”, disse ao se apresentar,
Eufórico me deslocando o pulso.
“Nefertiti em visão de Alma-Tadema!
Estou diante da beldade faraônica,
Mas ruiva de deixar Vênus afônica,
Destruiste de pronto o meu sistema!”
“Deixa-me medir tuas feições,
Que acabo de mudar minha teoria
E preciso de dados, proporções...”
E eu, louca pelo insólito que sou,
Deixando logo cair o que vestia,
Ofereci-me à ciência de Moscou...
21/05/2005
Nota
Eu, residindo em Alegrete com meus filhos, soube deste episódio algum tempo depois. Alma deixava cair o vestido e se desnudava de súbito, sempre que uma pessoa notável se embasbacava com sua beleza. Não havia como contê-la. No tempo de nossa mãe viva isso deixava a Mutti em ânsias, e logo indignada, quando aqui vinha um visitante artista, músico, poeta, escritor, ou mesmo cientista, como foi neste caso. ( Lucia Welt)
* Alma-Tadema - Lawrence Alma-Tadema, pintor vitoriano inglês de origem flamenga, que fez um imenso sucesso em vida, em sua carreira na Royal Academy de Londres no final do século XIX, pintando meticulosamente e quase em miniaturas, cenas do cotidiano da antiga Roma e Grécia. Mas o mais incrível de sua biografia é o fato (acreditem se quiserem) de que ele foi mais famoso e consagrado em sua época do que Picasso foi na nossa (!!!). Se você perguntasse a qualquer operário ou homem comum, na rua, o nome de um pintor, ele diria: "Alma-Tadema" (como poderia dizer também "Bouguerreau"). Era um grande imitador do mármore. Mais raramente também pintou cenas do antigo Egito. Seu maior quadro em tamanho é justamente uma cena (hollywoodiana) de Cleópatra cercada por suas escravas no seu barco real no Nilo. O russo deve ter se lembrado desse pintor por suas gregas e romanas loiras e ruivas, na verdade modelos inglesas e irlandesas que ele contratava. Tadema, depois de 50 anos de desgraça crítica (em que era considerado de um "kitsch" alucinante) após a sua morte, foi redescoberto nos anos sessenta do século passado e voltou a ter algum sucesso entre os colecionadores, e voltou dos porões às paredes dos museus. (Guilherme de Faria)
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