Meu pai que era culto e muito sábio,
Ao notar algumas minhas tentativas
De tornar mais acessível o alfarrábio
Dos meus textos com notas redutivas,
Me disse, um dia: “Filha, que soberba,
Pensares que o mundo não compreende
O que tens para dizer ou se surpreende
Co'essa fala ora doce ora acerba...
Não subestimes tanto a inteligência
Do próximo, seja ele rico ou pobre
(nos extremos, sei, mora a carência)
Na forma mesma com que do coração vem,
Se dás, dês tudo tudo o que te sobre,
Mesmo que seja bem mais do que te pedem.”
(sem data)
Nota
Ao descobrir agora há pouco este soneto na Arca da Alma, comecei a me questionar sobre a necessidade ou validade de escrever tantas notas explicativas aos sonetos da Alma, pela minha vocação didática, de professorinha do interior (risos). Entretanto somente uma pessoa se queixou disso até agora, a tempos atrás...
Deveria eu parar de explicar os sonetos, como a própria Alma o fez a conselho de nosso pai?
(Lucia Welt)
Há 8 meses
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