Vão meus bosques, vão, ó meus amores!
Eu diria, recordando antigos Vates
De outrora, antes do tempo dos horrores,
Este tempo de cobiça e de "desmates".
Exageras, me dirão vagos doutores,
Houve bomba sem a cuia nem o mate,
Inaugurada no deserto, com louvores,
E jogada em Hiroshima, de arremate.
Esqueceste que tudo já houvera
E Noé pra ter a Arca desmatou
E ainda o rank dos ecólogos lidera.
Mas a vida ainda assim não melhorou...
E que fizeste, além de queixas, ó guria,
A colher flores e a vagar na pradaria?!
(sem data)
Nota
Um dos maiores sofrimentos recentes da Alma foi a derrubada imprevista de dois pequenos bosques que havia na divisa de nossa estância, pelo estancieiro vizinho, criador de gado. Alma chorou muito e se culpou por não ter sabido defendê-los. Este soneto reflete esse conflito. Alma foi tirar satisfações com o estancieiro e este a agarrou, beijou-a na boca, ela quase foi violada e voltou furiosa, rasgada e humilhada. Existem sonetos dela que recordam este patético episódio. Mas graças a ela restou e ainda resta nas nossas terras o "bosque sagrado da Alma", aquele de tantas "fadas" e sonetos de Mistérios, que recomendo:
www.sonetosmisteriososdealmawelt.blogspot.com
(Lucia Welt)
Há 7 meses
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