domingo, 31 de janeiro de 2010

O coração da vida (de Alma Welt)

Não te vás, ó Rodo, eu te suplico!
Devolvo a chave, sei, fui atrevida.
Falo demais, talvez, complico,
Mas estamos no coração da Vida,

O mundo está aqui como lá fora.
Ou o vejo daqui, por isso fico.
Por quê tens, irmão, que ir embora
Só porque só sei jogar o mico?

Coração sempre tiveste destemido,
Sou tola e pegajosa, que sei eu?
Anseias o teu pôquer de bandido...

Não tens mais paciência com a guria.
Onde, pois, a aventureira se meteu?
Que escreve, chora e se angustia...

25//11/2006


Nota

Acabo de encontrar esta jóia na Arca da Alma, que muito me comoveu. É bem da Alma, em sua paixão de toda uma vida por nosso irmão mais novo, este, sim, aventureiro, homem de ação, apaixonado por carros esporte, velocidade, e pôquer internacional, perigoso. Depois de moço, não parava em casa e corria o mundo, em longas temporadas, percorrendo cassinos e até casas clandestinas de jogo. Muitas vezes esteve em perigo de morte. Alma, companheira sua de infância, de todas as horas, sentia sua falta como de um amor perdido. (Lucia Welt)

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Estimulada pela tentativa de uma ótima poetisa do portal Red de Escritores de Coquimbo, que arriscou uma versão deste soneto para o idioma castelhano que ao me ver traía o sentido de alguns versos, por minha vez arrisquei uma versão usando o recurso da "transliteração", a fim de manter o sentido geral, a rima e a métrica. Confiram:

El corazón de la vida (Alma Welt)
(versão al castellano de Lucia Welt)

No te vayas, O Rodo, te lo ruego!
Tomé la clave, lo sé, gesto atrevido.
Hablo por demás, con tanto fuego;
De la vida el corazón no está perdido,

El mundo está aquí y en otras partes.
Pero lo vedo desde acá, por eso resto.
Sin embargo, hermano, no te apartes,
Si como jugadora no me presto.

El coraje tienes, desmedido…
Soy tonta y pegajosa, qué sé yo?
Anhelas por tu póquer de bandido…

Paciencia ya non hay con “la guria”,
Cuyo don de aventura se perdió,
Y solo escribe, llora y se angustia…

31/01/2010

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