sábado, 30 de janeiro de 2010

Diário da Guria (de Alma Welt)

Ao acordar, o meu soneto matinal
É o primeiro alento do meu dia;
É a página primeira de um jornal,
Um pressuposto “Diário da Guria”.

Aí constam pensamentos das andanças
Pelo prado, aqui chamado de coxilha,
A colher flores entre criaturas mansas,
Minha platéia de um teatro-maravilha.

Mas não pensem que tudo ali são flores:
Há muito sangue a escorrer ainda
Nas páginas seguintes, dos amores

E proezas da guria louca e linda,
Estrela em ascensão, ba! tão modesta,
Enquanto o Tempo escorre pela fresta...


Nota
Acabo de descobrir na Arca da Alma, este encantador soneto auto-irônico, onde Alma faz uma das raras menções ao seu Diário, que ela manteve desde a infância. Outra, por exemplo, está na crônica “Meu diário violado” (vide o blog Crônicas da Alma).
Embora os seus abundantes sonetos façam, em conjunto, a crônica de sua vida inteira, Alma tem mesmo um diário secreto, um álbum cheio de desenhos e espantosas confissões, que encontrei dentro de sua arca, e que um dia, quando tiver coragem, publicarei sem censuras na Internet.
(Lucia Welt)

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