Tendo vivido pela força da palavra
Só temo o tal momento de afazia
Final, quando a mente a língua trava
Pois nada mais restou para a Poesia,
Quando não mais se tem o que dizer
E tudo se resume num suspiro
Ou numa dor tão grande de morrer
E deixar o mundo em seu respiro,
Que afinal era tão belo como era
Com as mágoas e a feiúra sem sentido
Pois nele havia infância... ou houvera.
E numa espécie muda de “aqui vamos”,
Talvez como um sonho indefinido
Alcançamos a paz que não sonhamos.*
(sem data)
Nota
Acabo de descobrir este soneto inédito na Arca da Alma, que com tantos outros dessa temática, evidencia a sua preocupação obsessiva com a morte, que, afinal, ela antevia muito próxima...
* Alcançamos a paz que não sonhamos- Com este curioso verso, presumo que a Alma quis dizer que a paz não é o que procuramos, pois o medo do desconhecido nos acompanha até o minuto final. E a paz vem de súbito, e à nossa revelia...
Há 6 anos
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