
Ofélia, ou A Morte de Alma Welt- pintura de Guilherme de Faria. o s/t. 100x130cm (coleção Fernando Carrieri, São Paulo, SP).
Hoje o dia amanheceu enevoado
Evocando antigas brumas de Avalon,
Mas levanto e capricho no penteado
Em bandós e nem um toque de baton.
E com uma saia longa e meu chale
Me vejo um tanto mais vitoriana
A vagar numa charneca ou num vale
Como Tess, e muito menos pampiana.
Então, triste e encarnada no papel
Vou até o soturno lago meio opaco
E me inclino sobre águas como um véu
Que me nega as luzes que preciso
Para mirar meu rosto ainda que fraco
E mais para uma Ofélia que Narciso...
10/01/2007
Nota
Acabo de encontrar na Arca da Alma este soneto triste, que, como muitos outros contém uma velada premonição de seu destino, isto é, de sua morte afogada nesse lago, como uma Ofélia, tão anunciada, e que entretanto não podíamos prevenir ou deter... (Lucia Welt)
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