sexta-feira, 1 de maio de 2009

O sonho da Pintora (de Alma Welt)

As cores deste dia estão mais belas.
Eu vejo, sinto, esta paleta vive
A fase heróica das tintas amarelas
Como as do Van Gogh que não tive.

Ontem foi em mim o azul Picasso
E o rosa do alvorecer do mestre;
Como ele retornei ao puro traço
Qual xamã velho e caçador rupestre,

Ou ainda: Hokusai, mesmo Da Vinci
Ao riscar o traço preto no papel
Buscando encontrar aquele acinte

Ao fazer vibrar na folha e abri-la
Tornando a superfície um novo céu
E o sonho se instalar como em Tarsila...

08/02/2004

Nota
Acabo de encontrar mais este soneto inédito na Arca da Alma e não pude deixar de associá-lo a outro que já citava os "velhos deuses do traço". Este aqui, n°9 do ciclo Sonetos da Pintora III (no blog Sonetos da Alma):

9
Vou desenha-la, Aline, a puro traço
Para fixar o seu perfil
E a sua silhueta no espaço
Do plano do papel que você viu

De uma pura trama como linho
Vindo de longe, talvez Jerusalém
Ou colhido na beira do caminho
Da estrada que leva até Belém,

E delirando assim sobre o papel
Coloco sobre a mesa o material
Depois de organizar esta Babel

E oficiando, enfim, como vestal,
Invoco os velhos deuses meus do traço:
Leonardo, Hokusai, e até Picasso.

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