Levada pela Arte já me encontro
Declamando-me a mim assim de cor,
Deixo-me levar de chofre e pronto,
Que me leve o destino e pra melhor.
Para o alto construí, aqui estou,
Aceito-me, proclamo meus delírios,
Por isso escrevo e gravo o que ficou
De tudo o que ganhei... e foram rios.
As línguas convergiram em minha mente
Na torre de meu pai, Etemenanki,
Pra produzir esta guria, simplesmente,
Que agora flui e verte com candura,
Poesia que não há mais o que estanque
De tudo que restou e que perdura...
09/05/1998
Nota
Mais uma bela "profissão de fé" de poeta , da nossa Alma. Ela aqui se refere à biblioteca de nosso pai como a torre de Babel, "Etemenanki", que produziu a divisão das línguas. Essa biblioteca ainda existente a duras penas aqui na estância, é em cinco idiomas: português, alemão, francês, inglês, espanhol e italiano. Dentro dela Alma foi criada, e percebe-se que ela se refere a essas linguas como os "rios" que convergiram para ela. Tendo assimilado ( "de cór") a cultura clássica em várias línguas (se é que isso é possível), ela estava pronta para fluir, derramar Poesia , o que fez copiosamente em sua curta mas intensíssima vida intelectual e afetiva conjugadas, como se percebe em cada um dos mais de 1.800 sonetos que deixou.
(Lucia Welt)
Há 7 meses
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