sábado, 4 de dezembro de 2010

Dois mil Sonetos (de Alma Welt)


A Arca da Alma (foto de Lucia Welt)


Dois mil Sonetos (de Alma Welt)

Atingir dois mil sonetos é a meta,
E a quantidade não é irrelevante
Assim como a dosagem numa seta
De ópio pra tratar um elefante.

Pois pra anestesiar a dor de amar
E ser em rebeldia neste mundo,
Eu preciso em carradas sonetar
E encher a minha arca já sem fundo.

És louca, me disseram, pra quê isso?
Não, não me disseram, estou mentindo,
Mas certamente não brinco no serviço...

Pois criar é o que cabe, não viver,
Quando se é poeta, não fingindo
Pessoa que se quer sentir e ser...

(sem data)

Notas
Acabei de descobrir, inédito, este curioso soneto na "Arca da Alma", em que ela atesta o seu propósito de escrever 2.000 sonetos (!!!) em sua (curta) vida. É, a meu ver, espantoso... Desconfio que ela conseguiu, pois não paro de encontrar sonetos inéditos na sua Arca, realmente "sem fundo". ( Lucia Welt)

*Este hábil terceto contém alusão aos famosos versos de Fenando Pessoa, que de certa forma Alma parafraseia: "Navegar (criar) é preciso. Viver não é preciso."E também : "O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/ que chega a sentir que é dor/ a dor que deveras sente."

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