sábado, 2 de outubro de 2010


Judith e Holofernes- de Artemísia Gentileschi 1593-1653

Eu e Holofernes (de Alma Welt)

Duplamente perderá sua cabeça,
Que perdida já estava na luxúria;
Do sono que adveio, fundo à beça,
A Assur não voltará, desta Betúlia...

Pobre comandante, frágil ser
Diante dos encantos de mulher;
Volúpia que o leva a assim morrer,
Dissipação e perda que se quer...

Sua fronte, na cidade sitiada,
Para sempre ficará depois do cerco,
Que afinal transpôs a paliçada...

Minha mão a sustém pelos cabelos
Com orgulho, que por minha vez me perco,
Sem mais minhas carícias e desvelos...

(sem data)

Nota
Este é o segundo soneto sobre o tema, encontrado hoje de madrugada na Arca da Alma. É curioso como a Poetisa se mistura ela própria ao Mito, talvez em nome de todas as mulheres. (Lucia Welt)

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