Matilde me questiona desde a infância
Por quê a “guria” escrever tanto requer,
Se nada acontece aqui na estância
Que mereça pena e tinta ou mal-me-quer.
Se aqui não há mais boi, não há boiada
Que me preocupe ou faça-me esperar
Por uma rês que seja, desgarrada,
Ou mais peão que por mim queira duelar.
Reflito que a isso não me oponho,
Foi pensado, não precisa acontecer,
O mundo é seu eterno vir a ser...
Que Arte não é espera nem procura,
É sermos nesta vida nosso sonho,
O resto é só silêncio e desventura.
(sem data)
Há 7 meses
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