terça-feira, 31 de agosto de 2010

Raízes e metáforas (de Alma Welt)

Estar em sintonia com a Vida
Que pulsa ao meu redor na natureza
É algo necessário, com certeza,
Pra que poeta seja e logo lida.

Pois se sonhos cultivasse longe disso
Querer seria lançar ecos e raízes
No passar do vento e o rebuliço
De meus pequenos erros e deslizes...

Mas sentir meus pés no mesmo chão
Que acolheu aquela Anita como filha,*
Após subir a bordo de um lanchão,*

Não cânfora de um Vate lá de fora,*
Mas consagrando o mar desta coxilha,
Antes pura metáfora na aurora...

26/04/2006

Notas

* ...aquela Anita como filha- Anita Garibaldi era catarinense, de Laguna, mas com a sua saga junto a Giuseppe Garibaldi na Guerra dos Farrapos, foi acolhida como heroína riograndense, tornando se gaúcha para o povo do Rio Grande.

*Após subir a bordo de um lanchão- Giuseppe Garibaldi conheceu Anita em Laguna, e fê-la subir a bordo do seu lanchão. Eles se apaixonaram, ela deixando então seu marido bêbado para seguir o aventureiro italiano, o que lhe custou desprezo e detrações durante muito tempo. Ele chegara a Laguna já com a fama de herói pela épica travessia de dois lanchões pela coxilha, sobre rodas, puxados por 100juntas de bois por 80km até a lagoa de Tramandaí.

*...de um Vate lá de fora... metáfora na aurora. - ~Paráfrase alusiva ao belíssimo verso de Fernando Pessoa, no poema O Opiário; " Minha vida, cânfora na aurora" (que significa a volatilidade da vida, efêmera quando sem sentido ou ideal).
(Lucia Welt)

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