sábado, 3 de julho de 2010

Resumo (de Alma Welt)

Houveram dias de rosas e de vinhos
Quanto os do amargo chimarrão
Nesta estância amiga de vizinhos
Que nos retribuíam afeição...

De repente começou a cupidez
Do olhar que já não mirava os meus
E percorria meu corpo e minha tez
Com lampejos e acentos mais ateus.

Não me queria frágil como presa,
E a ver-me ou imputarem-me beldade,
A Poesia aliei à minha fraqueza.

E me dei conta do perdido Paraíso,
Que há muito já perdera, na verdade,
Sob a árvore de tão pouco Juízo...

(sem data)

Nota
Acabo de descobrir este soneto inédito na Arca da Alma. Sou testemunha do que ela aqui revela: quando começou a adolescência deslumbrante da Alma e seu rápido florescimento como mulher, nossos vizinhos mudaram de atitude (já não a olhavam nos olhos) e começaram a assediá-la. Alma corria perigo na sua postura inadvertida e livre correndo pela coxilha e pelo bosque como uma ninfa. Na verdade, descobri tarde que ela foi vítima mesmo, e escondeu coisas graves de nós, sua família. Alguns sonetos descobertos recentemente revelaram isso... (vide a "Estória do umbu rei", publicado aqui em 10 de Março de 2010, na minha postagem "Maus Vizinhos*) (vide a "Estória do umbu rei") (Lucia Welt)

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