quarta-feira, 21 de abril de 2010

A Confraria da Ilusão (de Alma Welt)

Ceder a uma lógica da Vida,
Ao senso comum e à Razão,
Não parecia ser a única opção
À argúcia em mim, enaltecida

Pelo entusiasmo de meu pai,
Ele próprio paradoxo escolhido,
Músico e médico escondido,*
Duplo, sem conflitos, sem um ai.

Seria então mulher amante e musa,
E a poeta cujo olhar desvendaria
O inaudito e o comum na forma lusa

Do soneto, a Confraria da Ilusão,*
Dos solitários dos cafés de padaria
Que sonham mundos, sentados no balcão...


(se data)

Notas
*Músico e médico escondido - Notem que este curioso verso parece inverter o sentido do lado escondido (Hide) do médico Dr. Jekil, da alegórica obra-prima de Robert Louis Stevenson. No verso da Alma, o médico é que é o lado oculto.

*Confraria da Ilusão - Referir-se aos praticantes do soneto como uma "confraria" já ocorrera na obra da Alma de forma satírica no conto "A Confraria dos Poetas do Soneto Triste", do livro publicado em 2004, Contos da Alma, de Alma Welt
(Lucia Welt)

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