Contar a riqueza da minha vida
É que a faz pra mim assim tão rica,
Mas não como o avaro classifica,
E conta e reconta, única lida,
As notas... que se ambos deixam rastro,
As minhas em si mesmas perpetuam
Os lances de uma vida e fazem lastro,
E não como aquelas que flutuam.
Se o personagem, apontado ser, queria:
“Lá vai Ivolguin, o usurário!” *
Eu quero que me apontem ao contrário:
“Aquela prenda, “tu viu” como ela ia?
Parece ter feito algo importante,
Não o sei, mas o vi em seu semblante.” *
12/08/2006
Nota
*“Lá vai Ivolguin, o usurário!” - Episódio do romance O idiota, de Dostoiévsky, em que o personagem Gânia (Ivolguin), revela ao príncipe Michkin (o "Idiota") o que pretende fazer com o dinheiro que ia ganhar (de maneira desonrosa, para grande escândalo e desgosto de sua família), isto é: nunca gastá-lo.
*... Parece ter feito algo importante... - Paráfrase de uma frase atribuida a um italiano desconhecido, ao se defrontar com o filósofo Schopenhauer sem saber quem ele era: "Signore, lei deve avere fatto qualche grande opera: non so cosa sia, ma lo vedo al suo viso."
(Lucia Welt)
Há 8 meses
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