quarta-feira, 31 de março de 2010

Convite às vésperas da Páscoa (de Alma Welt)

Vamos juntos à campa do Maestro,
Rodo, meu irmão, hoje não escapas.
Sei que houve diferenças e até tapas
No afeto de vocês, duro e canhestro.

Mas ele te amava como a mim,
E no fundo se orgulhava da magia
Com que levas esse teu jogo sem fim
Que provaste ter sua própria melodia...

Vê, aqui podes trair-te pelo olhar,
Que o blefe não vigora neste sítio
Onde as aves e os ventos vem pousar.

E se ao me abaixar para pôr flores
Disfarçares na face um brilho vítreo,
Blefarás ante o maior dos jogadores...

(sem data

Nota
Para os novos leitores da Alma, devo esclarecer: frequentemente chamávamos nosso pai, o Vati (papai em alemão, pr. Fáti), de Maestro, porquanto era um grande músico amador, pianista virtuose mesmo, especialista nos grandes românticos, embora tocasse Bach muito bem.
Rodo, Rudolf, nosso irmão, que tocava com talento, violino e piano, abandonou a música pelo jogo de pôquer do qual se tornou profissional e corria o mundo nos seu velozes carros esporte, caríssimos (comprados com dinheiro ganho no jogo, nunca desviou dinheiro de nossa estância e vinhedo), jogando nos maiores cassinos do mundo e às vezes em salões clandestinos em mansões. Uma vida aventureira e... perigosa.
(Lucia Welt)

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