Galdério, ó Galdo, o que é aquilo
Que vimos embuçado pela estrada
Quando íamos a passo bem tranqüilo
E então me vi sobressaltada?
“Alma, patroinha, não é nada,
Aquele não é senão Judas Leproso,
E a sineta de som pouco lamentoso
Ele agita pra afastar a peonada,
Que de longe lhe deixa o de comer
Pois dinheiro não lhe querem pôr na mão,
Que outros não iriam receber...
E a pobre alma penada é intocável,
E morrerá sem que jamais nenhum peão
Le mire a face morta e deplorável.”
(sem data)
Notas
Acabo de descobrir este notável soneto na arca e embora percebendo-lhe o nítido teor simbolista, impressionada fui perguntar ao Galdério se esse episódio realmente acontecera, se ele se lembrava disso... Galdério confirmou dizendo: "Patroa, si Alma lo ha escrito, es verdad."
Jamais saberei definir os limites entre realidade e invenção no mundo da Alma...
Le mire- escrito assim mesmo, como falam os peões por aqui.
(Lucia Welt)
Há 6 anos
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